segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sonhos

Desde pequena eu imaginava como seria o meu futuro, assim como qualquer outa criança. Me imaginava como médica, arquiteta, professora... Depois de um tempo, meu sonhos foram sumindo. Uns foram arrancados de mim pela realidade, outros foram simplesmente substituídos.
Alguns anos atrás (sete anos, pra ser mais específica) eu decidi que queria ser escritora. Eu ouvi muitos incentivos e muitas críticas. Mas sempre me mantive escrevendo pra ver se, algum dia, eu conseguiria escrever uma coisa completamente minha, sem a necessidade de usar como base o universo criado por um outro alguém. 
Dois anos atrás, eu finalmente consegui. Escrevi a minha primeira história totalmente minha, sem ter como base a saga ou o filme de alguém. Tudo que estava ali era meu. Personagens, falas, enredo, tudo. Sinceramente, me orgulho muito desse texto. Por três motivos.
Primeiro motivo: foi o primeiro texto que eu escrevi que era totalmente meu, sem a interferência direta de nenhuma outra obra. Segundo motivo: veio de uma época muito ruim da minha história, onde eu estava me sentindo completamente só e sem amigos. Terceiro motivo: me mostrou que eu realmente gosto de escrever ficção e é isso que eu quero fazer da minha vida.
Ou seja, isso me mostrou que o meu sonho não era tão difícil. Basta somente a inspiração certa, no momento certo pra tudo dar certo. Admito que o que foi escrito não é uma perfeição nem nada digno de estar numa Academia. (Sim, Academia com "a" maiúsculo. Com "a" maiúsculo porque não é aquele lugar que você vai pra puxar ferro) Mas foi o que eu consegui sendo uma mera estudante de ensino médio. Fui elogiada por todos que leram (modéstia à parte) e também recebi alguns conselhos.
Mas muito antes dessa história ter sido sequer imaginada, eu recebi um conselho que eu nunca vou esquecer. Um professor de literatura meu chamado André que me deu esse conselho. Ele tinha acabado de ler uma poesia que eu tinha feito e antes de ler aquela poesia, ele tinha lido um texto em prosa meu. Ele veio pra mim, me devolvendo a poesia e disse mais ou menos assim: "Invista na prosa, você tem mais futuro nela do que na poesia.". Sinceramente, hoje eu não duvido mais desse conselho de André.
Com toda a certeza, se eu não tivesse ouvido esse conselho de André, eu não teria desistido da poesia (no que eu sou realmente ruim, já que eu não tenho o menor jeito pra métrica e rima) e não teria investido tão maciçamente na prosa. E, também não teria escrito o texto do qual hoje eu me orgulho tanto.
Você deve estar se perguntando: "Tá, beleza. História bonitinha e tal, mas o que isso tem a ver com teu sonho?" Tudo. O meu sonho é, desde quando eu tinha 11 anos, ser escritora. Ouvir de alguém um: "O seu livro mudou a minha vida, muito obrigado(a)". E, através da tentativa e erro, acredito que vou conseguir. Mas sei que, por morar num país onde a bunda vale mais do que o cérebro e onde encher a cara vale mais do que ler um livro, não vou poder viver exclusivamente desse sonho. Eu morreria de fome. Literalmente.
E toda vez que chego a esse ponto (o de que eu morreria, literalmente, de fome se eu vivesse de escrever livros) eu me questiono: Por que isso tem que ser tão difícil pra quem escolhe o mundo das artes? (isso vale pra qualquer tipo de arte: música, teatro, cinema, literatura e fotografia) Dizem que há incentivo, mas muitas vezes (se não todas) não é só o incentivo financeiro que é necessário durante a produção da obra. É necessário um incentivo para o consumo dessa obra.
Por essa falta de incentivo ao consumo de arte nacional e local, que muitas vezes vemos artistas que poderiam ser brilhantes e grandes destaques não só dentro do país, mas fora, que acabam entrando em empregos que são desgostosos, que não são simpáticos e acabam sendo "forçados" a viver de um jeito que não os permite criar.
Então gostaria de deixar aqui o meu apelo: compre um livrinho, desses meio toscos, mas de uma editora local. Assista uma peça ou ouça uma banda "underground". Incentive aquele carinha que desenha muito bem. Faça esse tipo de coisa para que a arte nacional não seja uma coisa que só a gringaiada reconheça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário