sexta-feira, 27 de junho de 2014

Comentário(s) Infeliz

Ontem teve o jogo dos EUA vs Alemanha pela Copa do Mundo na minha cidade. Todo mundo tava no espírito de "adia esse jogo, porque não dá nem pra chegar na Arena". A cidade estava alagada, chovia muito e todo o resto. Aí que eu olho no twitter o seguinte comentário infeliz de um amigo meu "Qual o problema de ter jogo com essa chuva? São jogadores e não mulheres kkkk".
Disse a ele que esse comentário era ofensivo a mulheres (infelizmente não fui rápida para explicar o motivo) e ele começou um discurso extremamente misógino de que mulheres (no caso, eu) se colocam num pedestal e vemos machismo/misoginia até onde não tem.
Vamos lá explicar bem detalhadamente o que é machismo, misoginia e feminismo pra entender o porque o comentário desse meu amigo foi extremamente misógino e porque ele não enxergou misoginia no comentário dele.
O machismo é um sistema (de uma forma diferente de capitalismo e socialismo) que oprime as pessoas. É o que faz homens, mulheres, crianças e adultos acreditarem que:
  • homens brancos são superiores a mulheres brancas;
  • negros são mais inferiores que uma mulher branca. Se for mulher e negra, é pior ainda;
  • homossexuais, bissexuais e qualquer outra orientação sexual é "escolha" e faz da pessoa um ser inferior;
  • transgêneros e transsexuais são questões de "falha de conduta" ou "indecisão".
Isso pra citar algumas coisas. A misoginia faz parte sim do machismo. Aliás, é uma parte muitíssimo importante dele, pois faz todos acreditarem que certos comportamentos e atitudes são exclusivamente femininas e que são ruins por causa disso.
Misoginia não é somente comentários "lugar de mulher é na cozinha". É também "só podia ser mulher", "deixa de ser mulherzinha", "parece uma mulher dirigindo" e tantos outros naturalizados no nosso dia-a-dia.
E o que seria feminismo, no fim das contas?
Aline Valek fez, no blog dela, uma FAQ Feminista que eu gosto muito. Ele explica, por alto, porque o feminismo ainda é necessário hoje em dia, quando mulheres podem trabalhar, se divorciar, serem o que quiserem e todo o resto. Mas algumas coisas acabam escapando. Então vamos lá.
De um modo geral, feminismo NÃO É o que você vê em novelas da Globo, de mulheres odiando homens. Isso é misandria e femismo, que são coisas completamente diferentes. Feminismo lida com a ideia extremamente radical de que mulheres (trans* ou cis, não importa) e homens (também não importa se são trans* ou cis) são pessoas e merecem os mesmos direitos. E não é um movimento único. Você vai encontrar mulheres (e homens) feministas que divergem em alguns pontos. Feminismo não tem nada a ver com a sua aparência, não diz nada sobre como você é na cama. Só diz sobre a sua capacidade de ter empatia. (Ou não, já que homens também sofrem com o machismo).
Lutas mais comuns das vertentes feministas:
  • legalização do aborto;
  • não objetificação da mulher;
  • equidade salarial;
  • liberdade sexual (ainda não atingimos isso, migues, sinto informar).
De início, é difícil "se assumir" feminista. Afinal, todo mundo associa o termo "feminista" com uma pessoa (normalmente uma mulher) desequilibrada que odeia homens. Eu sou feminista e não odeio homens. Adoro-os por sinal. Mas odeio machismo.
Outra crítica muito comum ao feminismo: o uso de x nas palavras que normalmente tem gênero. Por exemplo: todxs, elxs, algumxs. Isso é uma forma de tentar diminuir o nosso sexismo linguístico.
Você vai encontrar no caminho alguns radfems, que são pessoas que se declaram feministas mas não reconhece como legítima a luta trans* (que nem quem? Os machistas que elas tanto criticam). E também vai encontrar femistas, misândricas, machistas e feministas. Mas se esforce para não ser um machista. Ser machista é tão ruim quanto ser coxinha