domingo, 7 de setembro de 2014

Mudanças

Dizem que mudei. Uns dizem que to mais grossa, outros dizem que to mais quieta e ainda há quem diga que to somente estranha. Mas há o consenso - quase geral, já que ainda tem quem discorde - de que eu mudei.

Em parte, concordo que mudei. Passei a trabalhar à noite num emprego que é exaustivo, sou cobrada como se eu fosse profissional e a minha vida fosse só aquilo (o que não é verdade. Não sou nem formada nem a minha vida se resume ao meu trabalho no jornal), além do que só posso descansar de verdade no final de semana - isso quando não tenho que trabalhar no domingo também. De tarde eu estudo (como eu estou de "férias", estou com outro emprego), ou seja teoricamente, tenho a manhã "pra mim".

Com uma situação dessas, não tem quem não mude. Seja por causa da pressão no trabalho ou por falta de tempo pra si mesmo. Mas vai mudar. No meu caso, concordo que eu fiquei um pouco mais grossa e sarcástica. Talvez seja mesmo pela situação.

O que me incomoda nisso tudo (por isso o post) é que todo mundo parece esperar que eu continue simpática, legal, prestativa e fazendo todos os favores que me pedem. Não, migs, eu não vou continuar sendo simpática, legal e prestativa quando eu tenho que fazer isso pra todo mundo o tempo todo e no fim não ter feito nada por e para mim. Porque é essa a sensação que eu tenho: eu só faço as coisas pros outros o tempo todo e nada do que eu faço é pra mim.

Deixei de sair pro cinema sempre que tinha dinheiro, assistir filmes em casa já virou um porre, porque tenho que pesquisar um interessante, achar onde tem download disponível e esperar baixar pra cada filme que eu quiser. Sair com os amigos? Nem pensar, já que ninguém quer programa de ficar em casa.

A verdade nisso tudo é a seguinte: cansei. Cansei de fazer um curso pra agradar os outros, ter que escrever textos no trabalho pensando e para os outros, fazer coisas para os outros, e ser vista como egoísta quando quero planejar e fazer uma coisa pra mim. Será que é tão ruim eu querer alguma coisa pra mim mesma? Querer planejar uma viagem pra mim mesma é tão errado assim?

Queria só deixar registrado que estou de saco cheio: mais de um ano sem férias, um trabalho fdp e pressão de todos os lados para que eu agrade todo mundo (afinal, que outra função eu tenho na vida, não é?) não são divertidos e estão me deixando louca.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Comentário(s) Infeliz

Ontem teve o jogo dos EUA vs Alemanha pela Copa do Mundo na minha cidade. Todo mundo tava no espírito de "adia esse jogo, porque não dá nem pra chegar na Arena". A cidade estava alagada, chovia muito e todo o resto. Aí que eu olho no twitter o seguinte comentário infeliz de um amigo meu "Qual o problema de ter jogo com essa chuva? São jogadores e não mulheres kkkk".
Disse a ele que esse comentário era ofensivo a mulheres (infelizmente não fui rápida para explicar o motivo) e ele começou um discurso extremamente misógino de que mulheres (no caso, eu) se colocam num pedestal e vemos machismo/misoginia até onde não tem.
Vamos lá explicar bem detalhadamente o que é machismo, misoginia e feminismo pra entender o porque o comentário desse meu amigo foi extremamente misógino e porque ele não enxergou misoginia no comentário dele.
O machismo é um sistema (de uma forma diferente de capitalismo e socialismo) que oprime as pessoas. É o que faz homens, mulheres, crianças e adultos acreditarem que:
  • homens brancos são superiores a mulheres brancas;
  • negros são mais inferiores que uma mulher branca. Se for mulher e negra, é pior ainda;
  • homossexuais, bissexuais e qualquer outra orientação sexual é "escolha" e faz da pessoa um ser inferior;
  • transgêneros e transsexuais são questões de "falha de conduta" ou "indecisão".
Isso pra citar algumas coisas. A misoginia faz parte sim do machismo. Aliás, é uma parte muitíssimo importante dele, pois faz todos acreditarem que certos comportamentos e atitudes são exclusivamente femininas e que são ruins por causa disso.
Misoginia não é somente comentários "lugar de mulher é na cozinha". É também "só podia ser mulher", "deixa de ser mulherzinha", "parece uma mulher dirigindo" e tantos outros naturalizados no nosso dia-a-dia.
E o que seria feminismo, no fim das contas?
Aline Valek fez, no blog dela, uma FAQ Feminista que eu gosto muito. Ele explica, por alto, porque o feminismo ainda é necessário hoje em dia, quando mulheres podem trabalhar, se divorciar, serem o que quiserem e todo o resto. Mas algumas coisas acabam escapando. Então vamos lá.
De um modo geral, feminismo NÃO É o que você vê em novelas da Globo, de mulheres odiando homens. Isso é misandria e femismo, que são coisas completamente diferentes. Feminismo lida com a ideia extremamente radical de que mulheres (trans* ou cis, não importa) e homens (também não importa se são trans* ou cis) são pessoas e merecem os mesmos direitos. E não é um movimento único. Você vai encontrar mulheres (e homens) feministas que divergem em alguns pontos. Feminismo não tem nada a ver com a sua aparência, não diz nada sobre como você é na cama. Só diz sobre a sua capacidade de ter empatia. (Ou não, já que homens também sofrem com o machismo).
Lutas mais comuns das vertentes feministas:
  • legalização do aborto;
  • não objetificação da mulher;
  • equidade salarial;
  • liberdade sexual (ainda não atingimos isso, migues, sinto informar).
De início, é difícil "se assumir" feminista. Afinal, todo mundo associa o termo "feminista" com uma pessoa (normalmente uma mulher) desequilibrada que odeia homens. Eu sou feminista e não odeio homens. Adoro-os por sinal. Mas odeio machismo.
Outra crítica muito comum ao feminismo: o uso de x nas palavras que normalmente tem gênero. Por exemplo: todxs, elxs, algumxs. Isso é uma forma de tentar diminuir o nosso sexismo linguístico.
Você vai encontrar no caminho alguns radfems, que são pessoas que se declaram feministas mas não reconhece como legítima a luta trans* (que nem quem? Os machistas que elas tanto criticam). E também vai encontrar femistas, misândricas, machistas e feministas. Mas se esforce para não ser um machista. Ser machista é tão ruim quanto ser coxinha

quarta-feira, 19 de março de 2014

Alegrias Pt. II

Como já mencionei algumas vezes por aqui, faço jornalismo. Terminei o 4º período recentemente e, em duas semanas, vou pro 5º.

Ok, sem novidade nenhuma.

Mentira.

Nesse meio tempo que fiquei sem postar, consegui um estágio (não é grande coisa, mas é um estágio) e fui chamada pra participar da seleção de estágio de um jornal (que, por motivos de não expor o jornal, não vou dizer o nome) e comprei alguns livros.

Vamos por partes.

Sim, eu to feliz pra caramba por ter sido chamada pra seleção de estágio no jornal. A remuneração é boa, as perspectivas, também, e a ideia de trabalhar num jornal é ótima. Já o estágio que eu to, é legal, mas não é lá essas coisas. O pessoal é bom, mas a remuneração e as perspectivas, bem... Deixa pra lá.

O livros que eu comprei são:

  • Anna Karenina, de Leon Tolstoi;
  • Sussurro, de Becca Fitzpatrick;
  • Crescendo, de Becca Fitzpatrick;
  • Silêncio, de Becca Fitzpatrick;
  • Finale, de Becca Fitzpatrick;
  • The Last Song, de Nicholas Sparks;
  • O Livro de Ouro da Mitologia: História de Deuses e Heróis, de Thomas Bulfinch;
  • Destrua Este Diário, de Keri Smith;
  • Divergent, de Veronica Roth;
  • A Culpa É das Estrelas, de John Green; e
  • A Garota que Você Deixou Para Trás, de Jojo Moyes.

Eu sei, foi uma quantidade razoável de livros e que ainda não li todos. Já li Sussurro, Crescendo, Silêncio, Finale, The Last Song, Divergent e A Culpa É das Estrelas. (Se bem que só comprei esses últimos três porque tinha lido emprestado de uma amiga minha/por e-book e fiquei querendo ter na minha biblioteca a versão física deles.) Pra mim, ter podido comprar cada um desses livros sem ter que mendigar dinheiro aos meus pais foi ótimo. Os outros, bem. Anna Karenina vou querer ler quando acabar essa onda de livros mais leves e curtos pra ler ele de uma vez (já comecei a ler, mas ainda não terminei). O Livro de Ouro da Mitologia tá com o meu irmão, então, nem tão cedo eu vou ter de volta. Estou destruindo o Destrua Este Diário, lendo Divergent e esperando A Culpa É das Estrelas e A Garota que Você Deixou Para Trás chegarem pelo correio.

Outra alegria vai ser quando meus livros chegarem, mas essa alegria é motivo, por si só, pra outro post.